quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Pretendentes, versão seis anos.



Parabéns Marco Antonio.
Marco Antonio, que manda cartões com desenhos e escritas.
Marco Antonio, que enche a Lucia de beijinhos.
Você é o feliz ganhador de uma passagem só de ida para a Legião Estrangeira.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Contando tudo pra Lucinha


-Lucia, vem cá, senta aqui pra gente conversar
- Tá bom.
- Então filha, você vai ganhar um irmãozinho
- A MAMÃE TÁ GRÁVIDA??????
- Não filha, esse filho é meu.
- VOCÊ VAI CASAR?
- Não filha, eu não vou casar.
- Mas não precisa casar pra ter filho?
- Não precisa. Aliás quando você nasceu eu também não era casado com a sua mãe.
- Ah.
- Ficou feliz?
- MUITO!
- Você vai me ajudar a cuidar dele?
- Eu ajudo a dar mamadeira. E na hora de trocar a fralda eu posso te entregar a fralda limpa mas não vou mexer no cocô. Eca.
(abraços)

Meia hora depois:
- Então eu vou ter dois irmãos de barriga e dois de coração.
- Então filha, esse irmão não vai ser de barriga, porque não é da mesma barriga.
- Então eu vou ter uma irmã de barriga, um irmão de sangue e dois de coração.

Não sei de onde ela tirou irmãos de sangue.
Eu obviamente já diria que são irmãos de saco.
Mas até que funciona também.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

O último a chegar é a mulher do padre

A Lucia e a turminha apostando corrida:
 “O último a chegar é a mulher do padre”.

 Ué. O que querem dizer com isso?

 - Padre não tem mulher. Ela não existe. Logo o último a chegar vai receber a inexistência como castigo. Vai começar a desaparecer até sumir completamente. Vai pra o limbo, para a zona-fantasma do super-homem. Desaparecer da foto como o Marty McFly.

 - Padre não pode ter mulher. É pecado. Contra as regras. Então a mulher do padre é alguém banida pela sociedade, uma pária, alguém para quem as senhoras rosnam e que os verdureiros se recusam a vender uma maçã sequer. É uma forma ainda mais cruel de inexistência.

 - Mulher do padre, a julgar por certas tradições, é uma criancinha, Logo perder a corrida implica apenas em ser uma criancinha. Uma criancinha a quem acontece coisas monstruosas.

 Corta para as criancinhas correndo e eu correndo atrás desesperado gritando PAREM A CORRIDA, PAREM A CORRIDA!

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Grávido. De novo.

Fui informado que estou grávido e vou ter outro filho.

Em pânico, fui na farmácia, comprei vários testes de gravidez e mijei neles. Espirrou pra todo lado. Deram negativo. Mas ainda assim é verdade.

Aliás estou calmo com tudo isso. Calmíssimo. Rivotril, eu te amo. Rivotril é um bom nome se for menino. Se for menina pode ser Diazepina, uma coisa meio Guimarães Rosa.

Mentira que eu estou calmo. Descobri que não aprendi nada com a primeira gravidez, já que minha reação inicial, mais uma vez, foi quase desmaiar e passar a semana seguinte completamente surtado. Mas vai ser legal. E as passagens pro Alaska estão caras pra cacete.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Declarações

- Lucia, sabia que eu te amo pra sempre?
- Eu também pai. Eu vou te amar até quando você estiver mortinho.

Súbito a segunda-feira não parece tão ruim.

sábado, 23 de agosto de 2014

Mistérios do banheiro feminino

Estou com a Lucia no restaurante,
- Papai, me leva no banheiro?
Vamos ao banheiro feminino, com sorte é daqueles individuais.
Lucia senta pra fazer xixi, cantarolando:
- la lala lalala lalalalala lalaaaaaaaaaaaaaGHHHHHHH AAAAAAAAA TA MOLHANDO MINHA PERNAAAAAGGGGG
E eu, no maior susto, pensando "putaquepariu caralho o que será isso".

Então. A privada do banheiro feminino tem um buraco. Na frente.
O xixi voa pro chão e pras canelas e pro tênis do papai, ao que tudo indica.

Pelo que eu entendo de anatomia, o homem ainda tem algum controle sobre a direção do jato, ainda que a condição da maioria dos banheiros masculinos levante dúvidas sobre isso. No caso feminino, posso apenas supor que exija de uma baita rotação pélvica pra usar essa privada, deitar em cima dela, ou colocar a mão na frente pra desviar o jato. 

Não sei se a do masculino é igual porque aproveitei e usei essa.
E deixei a tampa levantada. Claro.

La Fontana de Trevi

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Malditos príncipes

Aí a Lucia vai passar uma semana de férias na Bahia, com sua vovó. É sua primeira viagem de mocinha, sem pai nem mãe.

Elas estão jantando quando uma trupe de teatro chega procurando uma Cinderella, com sapato e príncipe.

Não vou nem mencionar o fato do príncipe da história encontrar o amor da vida dele na festa e não reconhecer sequer o rosto dela, ou a voz, ou o cheiro. Não, só serve se o sapato servir. Bom, acabei mencionando, porque toda vez que alguém diz não vou nem mencionar, é pra mencionar.

 Aí o príncipe se aproxima da minha mãe e quer que ela experimente o sapato. A Lucia começa a chorar desesperada, dizendo “... ela e minha avó... se o sapato servir nela o príncipe vai levar ela embora e eu vou ficar aqui sozinha...”

 O príncipe morreu de dó e minha mãe está curiosa até agora se o maldito sapato ia servir ou não.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

mea culpa. e aranhas.

Eu sei, eu sei.
o blog parece abandonado.
cheio de teias de aranha (aimeudeus aranha!)

To devendo pra mim mesmo posts aqui desde o aniversário da Lucia até hoje, passando pela nossa super road trip.
Juro que qualquer hora me alcanço.
(ai como é lama posts sobre falta de post)

Enquanto isso, sempre dá pra acompanhar umas rapidinhas na fan page:
www.facebook.com/diariogravido

No Instagram:
www.instagram.com/neural

E outros temas na Confeitaria:
confeitariamag.com/author/renatokaufmann/

Claro que falta de tempo não é desculpa pra não postar. quem não consegue tirar 15 minutos por dia?
Então essa a gente assume: falta de foco mesmo.
Já já passa.

Bjs,
Renato e Lucia




terça-feira, 10 de dezembro de 2013

No Roda Viva

Tive o prazer de entrevistar o Dr Daniel Becker no Roda Viva.
Obviamente não concordo com algumas posições dele, como Florais, mas ele está lutando as batalhas certas.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sobre descer do carro e abraçar as pessoas na rua.

Estou no carro. Um pedestre atravessa no farol, vermelho pra pedestres, e passa perto de ser atingido. Não apenas o folgado desrespeita a lei, como se coloca em risco, e me coloca em risco de ser o atropelador dele.

Eu grito pela janela: CARALHO MANO!

Mais uma vez, a voz da minha consciência se manifesta no banco de trás:

- Papai, porque você falou isso?
- Filha, aquele cara atravessou no sinal vermelho, ele podia ter sido atropelado, eu fiquei bravo e falei um palavrão. Fiz feio né?
- É. Você tinha que ter falado pra ele “Moço, você pode ser atropelado e até morrer. Toma mais cuidado moço!”

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Construindo meninas que constroem

Goldieblox é um brinquedo que tenta romper com a ditadura do rosa-e-boneca..
Menina também gosta de construir.
E para promover essa filosofia eles soltaram um vídeo muito legal.
Obrigado a todo mundo que me mandou o link : )

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Luz (cia) Quântica

Sempre digo que as crianças se desenvolvem em saltos quânticos. É mentira. Elas se desenvolvem linearmente, mas não demonstram o tempo todo, então de repente quando ela solta tudo de uma vez, você fica se perguntando: QUEM DIABOS MANDOU AMADURECER ESSA CRIANÇA? Desconfio que a mãe coloque ela pra dormir embrulhada em jornal.

Ou ainda, é como o gato de Schrodinger. A Lucia está menininha e mocinha ao mesmo tempo, e só cristaliza em um desses estados quando eu olho.

Liguei pra casa da minha ex. Atendeu uma mocinha, com voz e jeito de mocinha, e eu nem sabia se era a Lucia ou a Maria até ouvir a frase “Oi papai, Adivinha quem está falando?”

Estava no carro, a Lucia pergunta “Papai, a gente está no caminho certo?”. “Estamos sim, filha, por quê?”. “Porque eu to vendo que você está olhando o mapa no seu celular. Você não sabe o caminho de casa?”.

“Pai, porque as teorias quântica e da relatividade são tão difíceis de juntar em uma teoria unificada, se apesar de contraditórias entre si, sabemos que ambas estão corretas?” – Esse última é mentira, mas é como se ela tivesse dito isso.



terça-feira, 22 de outubro de 2013

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Imagine um avião com 300 crianças dentro.

E imagine que, ao invés de ser um pesadelo, tenha sido uma experiência de dar inveja. Em uma ação super legal, a KLM convidou 300 crianças para assistirem a pré-estreia de "Aviões", da Pixar, dentro de em um avião da companhia, como se estivessem dentro do filme.

Tudo que acontecia com o personagem principal acontecia também do lado de fora do avião, para imensa surpresa da criançada. Então quando chovia no filme,  ou quando passavam pelas nuvens, dava pra ver um monte de efeitos especiais pela janela.

Claro que a criançada pirou, mas isso porque era "Aviões" dentro de um avião. Se eles estivessem assistindo "Monstros SA" dentro de um monstro, aí essas pestinhas iam ver só.

O vídeo você confere aqui



Aviso: infelizmente esse publi não foi pago em lindas aeromoças, e nem com uma viagem de primeira classe para Amsterdã, via Paris. Apenas vil metal mesmo.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A Lucia escreveu um livro

A letra horrível aí é minha, ok?
Ela desenhou e depois ditou pra mim o que deveria estar escrito.
To aqui morrendo de orgulho.

"Era uma vez uma menina, quer dizer, um livro de uma menina adulta e uma criança"


As duas meninas, Gisele e Lucia, foram passear. Com amor uma da outra e um beijo no ar!

A Lucia se perdeu na floresta que elas estavam passeando.

Pesquisa sobre tartarugas marinhas

A professora da Lucia pediu pros pais fazerem uma pesquisa sobre as tartarugas marinhas.
Eu fiz:

Pesquisa sobre as tartarugas para o g4

A Tartaruga Marinha vive no mar. Porque se ela vivesse na cidade ela ia levar muito tempo no trânsito até a praia.

Elas estão ameaçadas de extinção, que é o risco de desaparecem pra sempre.

Elas moram em todos os mares, menos no mar do Polo Sul, que é muito frio e ela ia passar o dia encolhida e enrugada.

A Tartaruga-de-couro chega a pesar 600 kg, igual a umas trinta crianças do g4 uma em cima da outra.

Quando ela fica adulta, lá pelos 30 anos, igual meu pai, ela volta pra praia onde nasceu e enterra seus ovinhos na areia.

Tem tanta gente, ave, bicho e peixe que gosta de comer ovo de tartaruga, que de cada 100, só uma vira uma linda tartaruga adulta.

Muitas pessoas fazem sopa de tartaruga. Elas também ficam presas na rede de pesca, tadinhas. Precisamos cuidar das tartarugas.

Se a gente cuidar das tartarugas elas podem viver mais de 400 anos


-Pai, esse é o meu namorado
- Não filha, esse vagabundo só quer te comer

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Playmobil

Todo mundo tem algum brinquedo que marcou sua infância. Na minha, o maior objeto de desejo era o Playmobil. Quando meu irmão ganhou o primeiro kit, que era de circo, a gente passou dias brincando. Tinha leão, foquinha e eu achava tudo o máximo. Claro que isso foi antes de animais em circo serem algo polêmico. Tadinhos do leão e da foca.

Me doía não ter todos que eu queria. Eu adorava os medievais, que tinham cavalos e capas. Porque capa é meio super, né? Então eu ia brincar com os vizinhos, dois irmão japoneses, que tinham uma coleção gigante. O problema é que a capa reta não funcionava com o cavalo, e se tirasse a capa pra andar de cavalo, perdia. Acabamos brigando e eu parei de ir lá. Mas em todo aniversário eu pedia Playmobil. Sério.

Com essa memória afetiva, claro que fiquei feliz quando recebi um monte de Playmobil da Sunny Brinquedos, ainda que com 30 anos de atraso. E mais feliz ainda quando perguntaram se eu não queria fazer um publieditorial, o que é ótimo, dado que eu faria de graça. Talvez.

Assim, a Lucia ganhou alguns playmobis da nova coleção 123. Apesar de terem sido criado para crianças mais novas que ela, a Lucia adorou, e ficou um tempão brincando com eles

Ela gostou do avião e do barco, e eu, do foguete com astronauta. Aproveitei pra ficar falando com ela sobre o sistema solar, o espaço, e quer saber, ela que se exploda, vou roubar o foguete e o astronauta pra mim.
Ground Control to Major Tom

Ahhhh ele quase caiuuuu!
Aqui o link pra coleção:
 http://bit.ly/1b6Sfgq

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Histórias pra Lucia dormir.

Era uma vez um demônio das profundezas chamado Cachulu. Ele era bonitinho, tinha asas, uma cara de polvo, e só queria abraços. E conquistar o mundo. E que todo mundo fosse escravo dele em um reino tirânico.

Um dia, a dragão Azulzinha estava passeando em uma montanha mágica quando viu um espelho. No Espelho tinha um lindo horrível demoninho das profundezas. Ele disse, todo fofo – Me tira daqui? E a Azulzinha respondeu que não. – Mas eu só quero abraços. E ela respondeu -hmmmmm. -E conquistar o mundo, ops, digo, abraços.

Ela soprou com o fogo dela, mas não foi suficiente. Ela soprou de novo, mas não adiantou. Ela falou que não deveria ter faltado às aulas do lobo. Aí ela comeu uma pimenta e SWOSHHHHHHHH, derreteu o espelho com o bafo.

O Cachulu veio e deu um abraço muito gostoso nela. E falou – oi, você é minha primeira escrava. Aí ele conquistou o mundo e todos tiveram que virar escravos dele, e dar abraços. Ele fez todas as pessoas do planeta ficarem em uma fila pra dar abraço nele. E a fila era tão grande que as pessoas nasciam na fila, viravam crianças, adultos, casavam, tinham filhos e morriam na fila, sem chegar no abraço.

Um dia apareceu um cavaleiro e disse que ia salvar todo mundo. Que ele não viveria em filas ou abraços, que ele era muito bom, e disse –Cachorro! Encerre seu reinado de abraços! E escravidão e tal. E o Cachulu comeu ele e não sobrou nada.

Anos depois veio um ninja. Ninguém viu ele chegar, porque ele é ninja. Ele pulou no Cachulu de surpresa, segurou nas asinhas e torceu e fez ele voltar pro espelho e trancou a porta. As pessoas vieram agradecer, e ele disse – Agora a fila é pra dar abraços em mim BWahahahahaha! Brincadeira. E antes que todo mundo pudesse rir, ele sumiu.

Quando ele chegou em casa, perguntou pra sua esposa ninja – oi querida, tudo bem? – Tudo bem, e você? – Tudo bem. E cadê o bebê ninja? E ela respondeu – EU NÃO SEI ELE É NINJA!





Com dois anos de idade ela já tinha uma camiseta do Chtulhu!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

yo Bitch

Estou em casa. O telefone da minha amiga toca, é o marido, que é um gringo super brother. Ela me passa o telefone pra eu atender.

Atendo, super imitando o Jesse de Breaking Bad:
-Yo, bitch, whatsapp motherfucking bitch whore yo!
-(silêncio)
- Bitch? Bitchy bitch bitch?
- (silêncio)
- What the fuuuuuck, nigga
-  Alô? - diz uma vozinha de criança.

Como se um raio caísse na minha cabeça, me dou conta era a filhinha deles, de seis anos, obviamente bilíngue. Devolvo o telefone para a mãe, pensando em pular pela janela.

-  Oi Filha! Não, aquele era o Tio Renato, você ouviu? Ah ouviu. 
É, filha, ele é maluco. Não liga não.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Crianças ao mar!

Aí eu e a Lucia montamos ontem o barquinho pirata que veio na caixa de arte-surpresa.

 - Olha filha, acho até que vai flutuar
- Eu posso por meus bonecos aqui né pai?
- Pode sim. E a gente leva ele pra brincar na pi…
- Pi…
- Pi…
- VADA! NA PIVADA! Dá aqui que eu levo!




 Nada se compara à luz nos olhos de uma criança quando seu barquinho cheio de bonecos enfrenta um grande redemoinho de urina e coliformes... exceto a conta do encanador para desentupir, ou, tecnicamente, desembonecar essa porcaria..

 - PI-scina Lucia, PIscina!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Dia dos Pais com Darth Lucia. Ou Lucia Skywalker, não estou certo.

Dia dos pais é só uma data inventada por publicitários, como o Dia do Cachorro, Dia do Vidente, e o Natal.

Nesse dia dos pais, ganhei muito jabá um monte de presentes ofensivos:

-O Boticário achou que sou fedido e mandou um perfume.

-A P&G decidiu que odeia minha barba e mandou uma Gilette.

-A Associação de ex-boxeadores achou que eu estava gordo e mandou um grill que tira gordura, grande o suficiente pra assar a Lucia, apesar de na foto grelharem... limões.

-A loja Oppa achou que eu não sou paranoico o suficiente e mandou um jogo americano psicodélico bacana e duas cumbucas. Pelo amor de deus, como eles sabem que eu precisava de cumbuca?

-A Associação dos chocólatras mandou uma quantidade pornográfica de chocolate, mas infelizmente era um monte de talento e aplauso e só uma caixa de delicioso bombom de vinho da kopenhagen. E um tipo de sucrilhos com um cachorro mal-encarado na embalagem.


Da Lucia, ganhei o seguinte:

  1. Nada, porque eu não comprei nada pra mim mesmo.
  2. Um cartão lindo que ela mesmo fez, só que ela esqueceu na escola, e eles não abrem os portões para pais carentes em finais de semana, então apenas presumo que é lindo porque sei que vou achar lindo.
  3. A imensa e interminável alegria da sua existência e companhia, assim como o direito de participar do dia dos pais como pai, e não só como filho, assim como ter me tornado uma pessoa melhor. Pelo menos, melhor que antes, ok.

Brinde:
Lucia Skywalker, Princesa Poderosa, enfrenta Darth Vader em uma batalha cheia de referências e efeitos especiais, que não aparecem porque o vídeo parou sozinho no meio. Acabou o espaço, essas coisas.




quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Sabe aqueles amigos que não tiveram filhos ainda?

"Quando eu penso nos meus amigos sem filhos, livres como pássaros, o meu primeiro impulso é dar-lhes uma bucólica pedrada.

Eles não chegam no trabalho sem saber que estão sujos de vômito. Saem toda noite, ou toda noite em que querem sair. Podem mudar de cidade, de emprego ou de vida com muito mais facilidade.

Quando me perguntam se deveriam ter filhos, ou como é, eu digo que é o máximo e que deveriam fazer isso imediatamente. Sabe aquela teoria da piscina, que atribuem ao casamento? Aquela em que você entra na água, ela está gelada,  e mesmo assim você diz que está morninha, entrem, entrem, só pra não ser o único trouxa lá? Com filhos é parecido, mas você não tem a opção de sair da piscina.

Meus amigos sem filhos, tenho a impressão, acabam se cansando da minha falta de tempo, dos meus constantes “hoje eu não posso”, ou do fato de que eu sempre tento fazer com que qualquer evento seja na minha casa, pra não precisar arrumar uma babá. Eles devem achar que eu estou na lama.

E mesmo com tudo isso, eu olho pra minha filha e penso que, se eu soubesse que seria tão bom, teria tido filhos muito antes. É quase impossível descrever esse sentimento sem parecer aqueles pais, ou mães, que não tem outro assunto senão filhos, e eu até procuro evitar, mas, afinal, aqui é Diário de um grávido, né?

A primeira coisa que acontece quando você tem um filho é que você ganha uma preocupação nova, constante e, segundo dizem, vitalícia. Você vai se inquietar a vida inteira, ainda que os motivos mudem. Uma hora não tomou leite, na outra pediu a chave do carro. O impressionante é que essa preocupação toda seja um alívio.

Sabe aquele holofote que vive em cima de você? Ele vai embora. Ainda que ali pra perto. Se preocupar com uma coisinha linda que não seja você mesmo dá um alívio tão grande, é tão libertador, que, no fim, o passarinho da história é você.

Também dá uma sensação de continuidade, de dever cumprido perante os seus ancestrais. Desde o primeiro ser unicelular até você, existe uma linhagem jamais quebrada  de sobreviventes e reprodutores. Gente que viveu o suficiente pra se reproduzir e ajudar a cria a sobreviver. E você vai ser o primeiro, em milhares de anos, a quebrar essa corrente?

Sim, a gravidez é um pouco ridícula, como as cartas de amor. Você fica ali falando com a barriga, pra que a criança se acostume com a sua voz e não só a da mãe, mas se sente como se alguém tivesse dito “fala com a minha mão”, ou fala com o oitavo passageiro. Afinal,  impressionante que um indivíduo se monte sozinho, dentro de uma barriga, usando alguns elementos disponíveis ao seu redor. É estranho, mas depois que o alienzinho vem ao mundo, você pode pegar no colo e chamar de seu.

Bom, isso aqui é um papo de pai, então vamos falar de coisas mais práticas (mães, me perdoem). Você deixa de ser invisível para a mulherada na rua. Em casa, ok, talvez você acabe fazendo parte da mobília, mas andar na rua com um bebê ou criança pequena causa um fascínio que eu nunca tinha visto. Sei lá se é biologia evolucionária, se ao parecer um bom pai você passa a ser geneticamente desejável, e eu digo, é muito divertido. Meu irmão vive pedindo pra eu emprestar a Lucia pra ele ir ao shopping. Eu digo pra ele ir furar camisinhas, que eu quero sobrinhos. Sobrinhos são como filhos que você pode devolver quando quiser, só que eles mais aumentam a vontade de ter filhos que a satisfazem.

No fim, eu fico pensando: sim, tem noites em claro – e não são daquelas que você se diverte. Sim, você chega sujo de vômito nos lugares e só descobre isso tarde demais. Sim, você não sai o tempo todo. Sim, você nunca mais vai dormir direito. Sim, a sua vida não te pertence. E sim, você nunca esteve tão feliz."

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Volta às aulas

- Amanhã tem aula, filha! Eba!
- Ahhhhh. Eu não gosto mais de ir pra escola.
- Mas você sempre gostou...
- É, mas agora eu não gosto.
- Você não quer mais ir?
- Não. Mas eu vou, porque eu ainda preciso aprender muito, pai.
- Ah, é legal, vai... E na escola tem suas amiguinhas, a Lorena, a Maria Julia... a professora Xissele...
- É Gisele, pai. Só eu falo Xissele.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Instagraminhas: Férias de Julho

A Maria, minha para-sempre-enteada, fica cada dia mais linda.
E a minha para-sempre-filha também.


Fomos na Kopenhagen. Ela insiste na "rosa de chocolate". Expliquei que vinham só dois pedacinhos e um caule de plástico, e que era superfaturada, se ela nao preferia dois do outro chocolate. Quis a rosa. Comeu, pegou uma flor na rua, pediu pra prender no cabo com durex e me deu de presente. "Feliz aniversário adiantado, pai. No meu eu quero uma bicicleta, ta?"


Confesso que adoro comprar roupas pra ela,
desde que seja só uma peça, em só uma loja, e gaste menos de meia hora.

No MASP. Se até eu fico cansado, imagina ela.


Imitando um urso polar visitando São Paulo


Férias. Levei  a Lucia pra agência.
 Ela perguntou se podia trabalhar lá.
Em cinco minutos já mandaram ela refazer três vezes o desenho de casinha.


Passou dez dias com a mãe na Bahia e voltou grande.
Ainda estou chocado.


Essa fadinha. 


Lucia (n) Freud


instagram.com/neural

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Rebola pai, rebola mãe, rebola filha.

Estamos ali esperando o pão na chapa com requeijão e cantando a música do Trem Maluco, ou pelo menos o que lembro dela:
- “O trem maluco quando sai de Pernambuco vai fazendo xique-xique até chegar no Ceará” (ou ele chega em Xique-xique e faz outro barulho?). “Rebola pai rebola mãe rebola filha eu também sou da família também quero rebolar.”

A Lucia faz a maior cara de iluminação e meio que rebolando, diz:
- Pai, quem está cantando é a irmã, né?
- Boa ideia, filha!

Aí eu abro um sorriso e, todo feliz com a esperteza dela, resolvo ir um passo além:
- Então ouve essa: "Dorme neném, que a cuca vem pegar, papai está na roça, mamãe foi trabalhar". Filha, quem está cantando essa música?
- A mãe.
- Como, se ela foi trabalhar? Filha acho que quem está cantando é a Cuca!!
- Ai, que medo!! AHHHHH!  Mas pai, também pode ser a irmã ou a babá né?
- Hmmm, pode.

E eu fico ali na padaria reluzindo de orgulho.

Aliás, que porra de família é essa em que todo mundo fica rebolando??

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Vingadores e Piquenique

Fim de semana em casa:
Assistindo desenho dos vingadores com a Lucia.
Sob ataque, um deles fala "Vingadores, responder fogo!"
A Lucia começa a rir e diz "Essa parte foi engraçada, porque fogo não fala, né pai?"

Fim de semana no parque:


terça-feira, 23 de abril de 2013

Eu prefiro uma filha menos órfã

Sedentário há uns dez anos, resolvi entrar em uma academia, pensando que isso pode ajudar a Lucia a não ficar órfã.  Estou lá naquele imenso trambolho que chamam de elíptico, e como em uma elipse verbal, minha vontade é desaparecer.

Mas a professora mandou correr, ou sei lá, elipsar por meia hora, com velocidade acima de seis. Quando ela volta e pergunta, conto, suado e arfando, que mantive acima de sete. Ela me dá parabéns. Fico todo feliz, reparo que é o mesmo sentimento de orgulho de uma criança que fez cocô no lugar certo, e súbito me sinto um retardado emocional.

Enquanto isso, a Lucia não apenas faz cocô no lugar certo, como está aprendendo a ser auto-limpante. De verdade, não que nem aqueles fornos que vendiam e que não eram auto-limpantes porra nenhuma., apesar de dizerem o contrário.

Tenho aqui comigo que quando ela aprender a se limpar sozinha e fazer seu próprio leite “de chocolate”, sem confundir um com o outro, eu devo ganhar uma hora de sono pela manhã.

Adicionalmente, também tenho aqui comigo que vão ser amargas horas de sono e que vou morrer de saudades do tempo em que ela me acordava pra preparar o leite dela toda manhã.



Em tempo, alguns instagraminhas para começar a compensar essa minha ausência por aqui. Obrigado a todo mundo que me cutucou nesse meio tempo!

Arte em alimentos é mais difícil do que parece.
Acreditem ou não, ela comeu as duas.

Também comeu todo o sorvete, que é conhecido por
causar olhos de mangá em crianças.

No dia em que ela me perguntar como nascem os bebês,
vou mostrar essa foto e dizer que é mais ou menos assim,
mas com menos espaço de manobra.

"Me come, Lucia, me come", disse a comida, com grande sucesso.

OHHHHMMMMMM
(como em ohm my god, derreti agora)


O Bukowski que ganhei da Confeitaria,
a revista onde mais tenho gostado de escrever.
Isso quando.

Filhos: uma viagem sem ácido.
Dizem.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Amor de irmãs

Toda vez que vejo essas duas juntas eu fico emocionado. 
Maria, minha para-sempre-enteada, e Lucia, meu coração-que-anda.

2008

2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Uma Diva de quatro anos de idade

Essa é a Sofia, minha sobrinha.
Ela canta como um albatroz gracioso em um entardecer de outono em Praga, o que não sei bem se é verdade, dado que nunca vi um albatroz gracioso, ou um albatroz, ou mesmo Praga. E assim como o vôo do Albatroz, a música parece não ter hora para terminar.

Ela se move pelo palco com presença de quem comprou o lugar, com a graça de quem ganhou ele de presente, e com o charme de quem ainda precisa fazer por merecer.

Ela mexe as mãos como se a Marisa Monte, a Ella Fitzgerald e uma dançarina de flamenco do ventre tivessem, de alguma forma, acasalado entre si e formado um único bebê.

E, mais que tudo, ela é a prova viva que eu sou tão babão como tio quanto como pai.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dez mil razões para beber

Dez mil pessoas sem noção muito legais e que eu amo já curtiram a fan page do Diário de um Grávido no Facebook.

E você, já conhece?
Passa lá: https://www.facebook.com/diariogravido

E obrigado ao Souzacampus por essa e todas as ilustrações.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Falando de sexo, ou não.


Momento clássico da vida de pai separado: uma pergunta fundamental é feita pela primeira vez... mas na sua ausência.

  Ana, Dona Mãe da Lucia me mandou esse e-mail:

-Mãe, eu nasci de cabelo pretinho, né?
- Sim, filha, beeeem preto, muito cabelo.
- A minha vó Celiane não nasceu de cabelo vermelho, sabia? Eu queria ter nascido de cabelo amarelo, é mais bonitinho.
(tudo isso na privada)
-Mãe, foi o Deus do Céu que colocou os bebês na sua barriga?
-Então, filha, foi assim, a semente do papai se juntou com a minha semente na minha barriga.
-E virei eu?
-Sim, virou você.
-Eu era duas células grudadinhas?
-Sim.
-Mãe, eu quero ter seis células menino e seis células menina e a minha família vai me ajudar a trocar a fralda das células.
-Então, filha...
-Mãe, mãe, mãe, mas antes que quero te pedir uma coisa muito importante: pega outra semente do meu pai e faz um irmão menino na sua barriga, puuur favor. Eu quero que ele me ajuda a trocar a fralda das minhas filhas células quando ele crescer.
-Filha...
-Mãe, pode ser de cabelo pretinho mesmo, eu não ligo.

Eu puxei esse assunto depois com a Lucia, mas ela só disse que os bebês vêm da barriga. E foi gentil o suficiente pra não fazer nenhuma piada com a minha. E eu, que estava prestes a contar a história de quando ela morava no meu saco, ou dizer que os bebês vêm de um lugar que se chama bebelândia, um lugar fedido e barulhento, mas muito fofo, ou contar que quando chega a primavera, a cegonha cheira uma flor, engole uma abelha cheia de pólen e depois fica muito safada. Aí, eu provavelmente me daria conta da idade da minha interlocutora e sairia correndo pra procurar "de onde viemos", ainda que mesmo esse livro pudesse mudar pra sempre o conceito de cócegas.

Ou, a melhor saída de todas: pra responder a pergunta de onde vêm os bebês, eu explicaria a origem do universo e da matéria, a formação das primeiras estrelas, fornalhas de elementos mais pesados, chegaria ao ferro, forjado em estrelas de terceira geração, a formação dos planetas, e como todas as moléculas dela são poeira de grandes estrelas, o início da vida, possivelmente em uma proteína autorreplicante, os primeiros seres unicelulares, todo o percurso evolucionário, a reprodução sexuada e as vantagens e desvantagens da troca de genes, gastaria um capítulo todo falando sobre o engracadíssimo Prêmio Darwin, que homenageia os imbecis que melhoraram o pool genético da humanidade ao se remover dele de maneira estúpida, e, com sorte, até eu chegar na parte da reproducão de humanos modernos, ela já teria uns 15 anos.

Aí, quando ela finalmente me perguntasse qual a diferença entre um 369 e um 469, eu poderia morder um dente falso, daqueles com uma cápsula de cianureto dentro, e morrer com a tranquilidade de quem morre na hora certa.



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A maldita tampa da privada

O que elas acham que acontece.

- Pronto, Lucia. Agora vai fazer xixi antes de dormir.
- Paaaaaai, vem cá!
- O que foi, filha?
- Você fez xixi aqui?
- Errrr. Sim. Porquê?
- Porque você esqueceu de abaixar a tampa.
- (silêncio)
- Pai, você esqueceu de abaixar a tampa, né?
- Sim, filha, eu não abaixei a tampa.
- Como você é esquecido, pai.

O engraçado é que esse assunto nunca tinha aparecido em casa, e essa mini-mulher de quatro anos de idade já tomou seu partido.

Liguei pra mãe da Lucia: "vem cá, como isso está funcionando na sua casa?" Ela contou que como são três ou quatro fêmeas e dois machos, funciona assim, se um dos rapazes não abaixar a tampa, as mulheres vão em coro repreendê-los pela casa. Coitados.

Ela perguntou como estava funcionando na minha. Eu disse: que quem precisa levantar a tampa levanta, e quem precisa abaixar, abaixa. Se olhar antes de sentar não vai cair lá dentro e molhar a bunda.

Ela pareceu chocada, e comentou que as duas tampas precisam ficar abaixadas, em especial na hora de dar descarga, ou gotículas de privada voam na escova de dentes.

Por um lado, faz sentido. Mas aí eu perguntei:
- As gotas voam pra fora da privada, certo?
- Certo.
- Se você desce a tampa, elas voam na tampa, certo?
- Certo.
- Então, a tampa é a coisa mais contaminada do planeta! Não daria nem pra encostar!
- VOCÊ ENCOSTA NA TAMPA?
- Não muito. (melhor levar o celular, para não precisar contemplar a própria mortalidade, e assim a gente acaba inclinando pra frente.) Mas a Lucia sempre encosta, se esparrama...
- Rê!! Não deixa!
- Bom, vamos fazer assim. No banheiro dela, ela deixa a tampa abaixada. E no meu, eu deixo como quiser.

Disse e fui escovar os dentes. Na hora de guardar a escova no copo, ali na pia, olhei pra privada aberta, olhei pra escova, olhei pra privada e coloquei a escova de ponta cabeça.

Lá no South Park Studios, a morte da mãe do Clyde, que esqueceu de levantar a tampa.

trailer: