quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O próximo a ir para a legião estrangeira

A Lucia chega no lugar toda tímida e não larga a minha calça. Vai se soltando, rouba um doce de leite do carrinho e quando vejo está tocando a maior zona no lugar. Aí fez amizade com esse menino, que prende ela em uma burca de palha e vai dançar.

 O que acontece depois: A Lucia está dentro de um cesto e o menino no outro. Que eu faço? Sento em cima dos dois cestos. E não é que quando eu solto o menino está chorando? Pensei: daqui a pouco vem um pai furioso tirar satisfação. Depois pensei melhor, se alguém aqui vai tirar satisfação, sou eu.

Samuel e Re

De 2007 a 2011 rolou muita água hein sobrinho...



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Lucisses

- Filha, qual o nome da sua ovelha?
- É Ovelha.
- O nome dela é Ovelha?
- É. Ela é a ovelha Ovelha.

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- Pai, posso levar o Gilberto?
- Claro. Afinal o Gilberto é meu neto.
- ELE É MEU NETO.
- E ele é o que meu?
- Filho.
- Se ele for meu filho, ele é seu irmão.
- Então ele é meu filho.
- E quem é o pai dele?
- O Pedro.
- O Pedro é legal né filha.
- É. Ele é meu namorado.
(pausa para enfarto estomacal)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Lucia cercada de pretendentes

Levo a Lucia pra escola e o Pedro vem receber ela na porta, super feliz: "LUCIA!!!". Ele dá um abração nela, e ela nele. A cena é tão bonitinha que eu até perdôo.

Aí o Marco Aurélio, que estava do lado de fora do abraço, fala assim: "E eu, Lucia, e eu?" A lucia abraça o menino, depois os três se abraçam. #todoschora.

 Aproveitando o momento, a professora vem me contar como a Lucia se desenvolveu, na fala, nas atitudes, que todos na escola estão impressionados com ela, que ela brinca com as crianças de quatro anos e acompanha tudo que eles fazem. Eu brinco que ela é a mais madura da família. No mínimo, ela foi quem mais conseguiu transformar essa fase difícil em crescimento pessoal. Ela está carinhosa, estável, segura e acho que, ao menos nisso, eu e a mãe dela podemos nos dar os parabéns.

 Falando em pretendentes, aliás, em breve a história do menino que eu tranquei em um cesto e ele chorou.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Lucinha, (não) quebre a perna!

Sexta foi meu aniversário, fui dormir em estado lastimável. Acordei três horas depois, às sete, para levar a Lucia na escola - era dia da apresentação de final de ano. Voltei pra casa pra tirar um mini-cochilo, a apresentação no teatro seria só as dez. Claro que começou às 11, e a cada minuto de atraso eu pensava "outro minuto que poderia ter dormido a mais. Raios."

Antes de começar tudo, uma professora fez um discurso emocionado de despedida da turma de formandos. Bonito. Depois um dos formandos leu um discurso escrito para alguém que já aprendeu pontuação, o que não era seu caso. Bonito mas sofrido. Depois um video com fotos dos formandos desde o saco de seus pais até, sei lá, o presente. Deus me livre de passar por isso de novo.

Quando a Lucia entrou no palco foi uma emoção ímpar. Outra emoção ímpar foi ver as fantasias das outras turmas - super elaboradas - e me dar conta que a pequena fortuna que paguei pela fantasia da Lulu na verdade serviu pra subsidiar todas as outras crianças, e, desconfio, uma ala inteira de escola de samba.

Mas eu queria agradecer a todas as professoras e às donas da escola, que foi muito legal ver minha pequena ali.



Aos mais curiosos, quando as crianças fazem a primeira linha horizontal, ela é a segunda da esquerda pra direita.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Monstro do Pântano invade teatro infantil.

Depois de quase um mês sem ver minha adorada enteada Maria, ela me telefona. Diz que está com saudades, que ficou feliz de saber que sempre vai ter uma cama pra ela onde quer que eu more, e me convidou pra ir assistir a peça dela na escola.

A peça era sete e meia. Às sete saio do escritório, um puta trânsito, pensei que não ia chegar a tempo, nem conseguir estacionar no maldito bairro da escola dela, o Itaim. Decido ir a pé, se apressar o passo, pensei, chego a tempo.

No meio do caminho começa a chover. Eu não acredito muito em guarda-chuva, a não ser que venha com uma espada samurai embutida. Começa a chover muito forte, e penso se não deveria correr um pouco. Depois de três ou quatro quase tombos, dois quase atropelamentos e um enfarto, chego na escola. Sete e meia em ponto.

Entro no teatro, pingando, e sou olhado pelos pais no auditório como se fosse o monstro do pântano. Sento, ainda recuperando o fôlego. Só meia hora depois uma moça aparece pra explicar como são as aulas de teatro. Depois, três videos mostrando as crianças na aula de teatro. Aí sim, quase oito e meia, começam as peças do terceiro, quarto e quinto ano. Óbvio que a que eu fui assistir é do quinto ano.

A peça do terceiro ano não tinha falas nem acabava nunca. Cada cena, narrada no microfone, era seguida de trechos de música em que as crianças pulavam pra lá e pra cá. Custava ter uma edição na peça? um pouco menos de música e seria até quase legal. Era sobre a cidade preta e branca. As próprias crianças escolheram seus personagens: Uma hippie e seu cachorro, um coelho, a dona da hípica (pasmem), a cientista, a policial, a dona da feira e a pintora.

A Maria veio pra platéia, sentou entre eu e o pai dela e ficou segurando a mão dos dois. Fiquei emocionado. Minha querida Maria.

A peça do quarto ano foi muito longa... não me lembro. Acho que estava tentando uma auto-asfixia anestésica.

E a peça do quinto ano era a batalha entre o otimismo e o pessimismo. Ainda bem que ninguém perguntou minha opinião sobre o tema. Os meninos eram uns canastrões. As meninas eram umas figuras, e a Maria era uma hippie, paz e amor, bicho. Depois uma advogada hippie (uma advogada da paz, olha que pertinente). Fiquei com a séria impressão que ela teria muito sucesso em qualquer uma dessas carreiras, hippie, advogada ou atriz.

E mais que tudo, fiquei muito feliz com a "volta da Maria". Morei com ela os últimos quatro anos e ela é quase como uma filha pra mim. Uma das coisas muito difíceis da separação foi ficar longe dela, e esse reencontro, no dia em que terminou meu suposto inferno astral, foi importante.

Ciscos Revoam.